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Filarmónica Recreativa Cortense

Filarmónica Recreativa Cortense

Cortes do Meio, Concelho da Covilhã, Distrito de Castelo Branco

Entrevista a José Marques das Neves

 José Marques das Neves, 69 anos, alfaiate e um "Amigo" da  FRC.

 

 

Quando é que começou a fazer parte da banda?

Em meados de 1977, na altura em que foi restaurada. Eram já vários os interessados, pois por isso, houve um grupo de amigos que se juntou e pela força de suas vontades decidiram restaurar a banda. Alguns eram músicos e assim continuaram começando a dar corpo à banda. Outros houve que não haviam nascido com dotes musicais, mas que mesmo assim, ajudavam os outros muito directamente, como por exemplo, ajudando no transporte de alguns músicos que estavam mais deslocados.

Recorda-se de como foi esse processo?

No inicio foi como que uma comissão administrativa, o Sr. Júlio Barata era quem coordenava toda a equipa, e só mais tarde é que se formou uma direcção como ditam as regras do associativismo, onde eu não intervinha directamente como corpo social, mas sim, como responsável pelo fardamento, já que era a minha profissão. Só mais tarde em 1996, é que integrei a lista de corpos sociais pelo período de 3 anos.

O que guarda desses tempos?

Lembro-me de que fui eu que tratei do processo para o Sr. António Pão Alvo (actual maestro) poder ir a Lisboa frequentar o curso de regentes. Recordo-me de também de ter tratado do processo para legalização da banda como pessoa colectiva, tendo ainda hoje em minha posse, documentos originais de todo esse processo, tais como os estatutos originais. De salientar que todo o processo de legalização foi composto pela minha pessoa, todos os documentos necessários para o efeito foram escritos à mão e são esses os originais a que eu me referia. Resumindo, tenho muitas recordações, muitas delas são boas, outras são de muito trabalho, e também as inúmeras actuações que a banda fez.

Porquê a sua saída da lista de corpos sociais?

Eu já tinha aceite um cargo para outro mandato, mas, talvez um pouco pelo cansaço, decidi retroceder na minha decisão. Cheguei a ouvir a minha esposa dizer que já só via banda.

Porque é que nunca quis ser músico?

Se há quem goste verdadeiramente de música, eu sou um deles, mas a minha vida profissional era incompatível com a banda, basta dizer que as actuações da mesma, eram sempre durante os fins-de-semana, fins-de-semana esses que eu tinha ocupados profissionalmente.

Faz ideia da quantidade de fardas que já confeccionou?

Só fardamentos novos e completos já foram 3, mais as fardas confeccionadas em menor escala, faz uma soma de mais ou menos 200 fatos completos.

Como classifica actualmente a Filarmónica?

Poderia dizer mil e uma razões para a engrandecer, mas vou enumerar apenas 3 factores, os quais acho mais essenciais.

·         A banda de cortes sempre que sai para uma arruada, traz consigo uma bela música que faz sobressair um cheirinho a festa, proporcionando alegria.

·         A banda para mim, é a principal de todas as associações na freguesia, embora eu goste de todas. Isto porque cativa muita juventude motivando-os e educando-os para que não percorram caminhos errados.

·         A nossa filarmónica é a associação que mais tem levado o bom nome e a cultura de Cortes do Meio por todos os sítios por onde tem passado. De todas as associações, para mim, a banda será sempre a primeira, porque eu gosto verdadeiramente de música.

Se tivesse poder, mudava alguma coisa?

Não! Não posso mudar nada porque apoio todos os dirigentes que estão. Apoio em especial todos os músicos porque acho que têm feito um bom trabalho tendo dado ao longo destes tempos, provas disso mesmo. Não posso deixar de apoiar os músicos porque sei as dificuldades com a banda se tem debatido.

Para terminar gostaria de saber quais são os seus desejos para a filarmónica?

Gostaria de desejar o principal, ou seja, a continuação. Que melhore sempre o seu repertório e que consiga cativar cada vez mais os nossos jovens e também menos jovens, porque a banda tem sempre a porta aberta para quem a quiser frequentar. Gostava também de felicitar toda a direcção pelo trabalho realizado em especial ao Sr. Júlio Barata. Para terminar desejo as maiores felicidades a todos os músicos e dirigentes.

Adriano Esteves