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Filarmónica Recreativa Cortense

Filarmónica Recreativa Cortense

Cortes do Meio, Concelho da Covilhã, Distrito de Castelo Branco

Samuel Barata - Atleta e... Músico Filarmónico.

Reproduzimos aqui a entrevista dada ao semanário Notícias da Covilhã, do flautinista da formação musical da Filarmónica Recreativa Cortense e componente do seu orgão diretivo.

Um promissor atleta e também um Músico Filarmónico!!!

 

Samuel sonha com os Jogos Olímpicos


Atleta do Benfica faz balanço da época em entrevista ao NC

 

O 17º lugar no Mundial, com apenas três europeus à frente, estava dentro das expectativas?

Não tinha classificação definida, apenas lutar e dar o meu melhor. O resultado obtido foi muito bom, mas não foi nada fácil, trabalhei muito para o conseguir. Tinha como táctica de corrida acompanhar os atletas norte-americanos, mas tive algumas dificuldades iniciais e quando o contingente africano atacou tive que controlar a minha corrida. Curiosamente, foi à passagem dos 7 quilómetros, onde teoricamente estaria mais debilitado, que comecei a trepar na classificação, terminando bastante bem. Se tivesse terminado com o meu melhor tempo na distância teria entrado no top 10, mas independentemente dessa situação estou extremamente satisfeito, foi uma classificação muito honrosa.

Tinhas os mínimos desde Março mas a convocatória não era uma certeza. Sempre acreditaste nesta chamada à selecção?

Sinceramente acreditei, penso ter sido um dos primeiros atletas nacionais a conseguir mínimos de participação, foi uma enorme satisfação e na minha opinião seria injusto seja para quem for alcançar mínimos, que não é nada fácil, e ser impedido de participar seja porque razão for. No desporto, em especial no atletismo, os atletas abdicam de muitas coisas e sofrem bastante para conseguir os seus objectivos.

Numa época conseguiste títulos nos 1500m, 3000m, corta-mato e foste ao Mundial de Juniores correr os 10.000m. Em que distância te sentes mais confortável?

Terei de fazer uma opção. Nos 10 000m a primeira vez que participei consegui logo os mínimos mundiais, mas não vai ser uma opção imediata. Infelizmente, e apesar de treinar bem, não consegui melhorar as minhas marcas pessoais nos 800m, 1500m, e 3000m, que eram um dos objectivos para a época, mas até à data sinto-me bem nos crosses e na pista adapto-me e gosto dessas distâncias. De imediato vou descansar, depois treinar para a época de Inverno e depois trabalhar para melhorar as marcas pessoais nessas disciplinas.

Foste em Agosto para o Benfica depois de fazeres toda a formação na Bouça. Quais foram as vantagens dessa mudança?

A principal diferença foi o facto de puder ir para a pista seja a que horário for e ter sempre alguém com mais capacidades que eu para treinar em conjunto. Alguns treinos são autênticas competições. Infelizmente, aqui temos pouca gente a treinar e no Benfica tenho um gabinete de Fisioterapia sempre disponível e um projecto aliciante

“Trabalho todos os dias para melhorar

Pensavas conseguir de imediato os resultados obtidos?

Trabalho todos os dias para melhorar. Pretendia ter uma boa época de Inverno e depois disso aparecer bem na pista. Penso que tive uma boa base que fez com que continue a evoluir bem e segundo os responsáveis do clube ultrapassei os objectivos pretendidos para a época. Sinceramente, se tivessem dito no início de época que estaria no Mundial, ficava com algumas reservas, mas se não fosse difícil não metia piada.

Teria sido possível fazeres uma época como esta se tivesses continuado a ser atleta da Bouça?

Não consigo prever isso. Na Bouça, época após época, tive a sorte de melhorar e chegar às medalhas nacionais e à selecção pela primeira vez, o que me enche de orgulho. No Benfica alcancei títulos colectivos que na Bouça seria mais difícil, mas a nível individual, com trabalho e dedicação, nada é impossível e a prova está nos resultados da época passada pelo Grupo da Bouça.

Tiveste convites. Porque não saíste antes?

Eu não passava de um miúdo e a Bouça tinha um projecto muito bonito. Havia muita ajuda entre os atletas. Além disso, o grupo de trabalho fazia de tudo para não faltar nada aos atletas e davam-me condições para estar nas melhores pistas e competições do País e por vezes no estrangeiro. Recordo-me bem da prova de cross que abriu o circuito mundial de corta-mato em Burgos onde participámos com os melhores do mundo.

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“Alguns amigos meus dizem que só faltam os Jogos Olímpicos”

Entraste para a universidade e passaste a viver em Lisboa. Tu também mudaste? És uma pessoa diferente?

Acho que estou na mesma, apenas com mais saudades da família e amigos. Foi uma mudança radical, mas adaptei-me bem e o facto de conhecer muitas pessoas ligadas ao atletismo foi mais fácil. De resto, estou na mesma.

É um sentimento estranho não teres feito este ano a Subida ao Vale da Bouça?

Não deu para participar porque nesse dia tive voo para Barcelona para participar no Mundial.

Com as provas quase sempre ao fim-de-semana, sobra tempo para regressar a casa?

Muito pouco, é um dos muitos sacrifícios que temos que fazer. Tive um período de quase dois meses sem ir a casa. Para além dos exames, das competições, por vezes temos treino específico a que não convém nada faltar.

Chegam-te ecos da Bouça ou da região das tuas vitórias? O que te dizem?

Sim e sempre que tenho possibilidade de ir a casa as pessoas apoiam e é muito bom.

Deixaste a tua terra, o teu clube, a tua família. E as outras actividades, como a banda?

Sempre que posso continuo a participar e a ir aos ensaios e actuações e desta forma dar o meu pequeno contributo.

Qual é a ligação que tens com os antigos colegas, clube e com o anterior treinador?

É a melhor. Sempre que posso tento estar com eles e pomos a conversa em dia, com o David falo quase todos os dias. Ele continua a apoiar-me ao máximo e quando vou à Bouça controla-me os treinos e vai ver as provas. Devia voltar aos treinos. Pessoas como ele fazem falta, muito do que alcancei foi ele que ajudou.

Até onde achas que tens condições para chegar?

Não sei, está tudo a acontecer muito depressa. O David Bizarro enviou-me antes da convocatória um recorte do vosso jornal datado de 2008 ou 2009 em que dizia que acreditava que iria à selecção. Na altura não passava de um sonho e consegui. Uma certeza tenho: quero continuar a evoluir e a tentar marcar presença neste tipo de competições. Alguns amigos meus dizem que só faltam os Jogos Olímpicos, que é mais um sonho, mas vamos aguardar o futuro, o sucesso é efémero, em especial no atletismo. Logo, é continuar a treinar e a trabalhar.

 

Ana Ribeiro Rodrigues, Notícias da Covilhã, 2012-07-25

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